poesia en la calle, desde la calle, la palabra tomando la palabra, la palabra es lo unico que sigue siendo de todos pero sobre todo alcanza su maximo poder en boca de la pobreza. La poesia es nuestra arma favorita. Los poetas, nuestros destiladores magnificos.
Tal vez mañana los poetas pregunten por qué no celebramos la gracia de las muchachas; tal vez mañana los poetas pregunten por qué nuestros poemas eran largas avenidas por donde venía la ardiente cólera. Yo respondo: por todas partes oíamos el llanto, por todas partes nos sitiaba un muro de olas negras. ¿Iba a ser la Poesía una solitaria columna de rocío? Tenía que ser un relámpago perpetuo. Mientras alguien padezca, la rosa no podrá ser bella; mientras alguien mire el pan con envidia, el trigo no podrá dormir; mientras llueva sobre el pecho de los mendigos, mi corazón no sonreirá.
Matad la tristeza, poetas. Matemos a la tristeza con un palo. No digáis el romance de los lirios. Hay cosas más altas que llorar amores perdidos: el rumor de un pueblo que despierta ¡es más bello que el rocío! El metal resplandeciente de su cólera ¡es más bello que la espuma! Un Hombre Libre ¡es más puro que el diamante! El poeta libertará el fuego de su cárcel de ceniza. El poeta encenderá la hoguera donde se queme este mundo sombrío.
Epístola dos poetas que virán
Manuel Scorza
Seica mañán os poetas pregunten
por que non celebramos a graza das mozas;
seica mañán os poetas pregunten
por que os nosos poemas
eran longas avenidas
por onde viña a ardente cólera.
Eu respondo:
por todas partes escoitabamos o pranto,
por todas partes nos cercaba un muro de ondas negras.
Se a súa primeira publicación literaria fora o poema “Mariñeiro fusilado” (na revista Nova Galiza, en 1937), Guerra da Cal publicou os poemarios: Lua de além-mar (1959), Poemas(1961), Rio de sonho e tempo (1962) e Motivos do eu (1966).
PÁTRIA*
«Porque volvió, sin regresar, Ulises»
MIGUEL ANGEL ASTURIAS
A Galiza
é para mim
um mito pessoal
maternal e nutrício
com longa teimosia elaborado
de louco amor filial
de degredado
(E de facto é também
-porquê não confes-sá-loum execrável vício
sublimado)
A Galiza
foi sempre para mim
um refúgio mental
um jardim de lembranças
sossegado
um ninho de frouxel acolhedor
para onde fugir
do duro batalhar e do estridor
da Vida
e do acre ressaibo do Pecado
Subterfúgio subtil
e purificador
de interior evasão
para o descanso da alma
na calma
pastoril
da perfeição de Arcádia
da Terra Prometida
da imaginação
A Galiza
é o meu amor constante
tranquila e fiel esposa
e impetuosa amante
sempre
como Penélope a tecer na espera
ansiosa e plácida
paciente e palpitante
do retorno final
do seu errante e navegante Ulisses
-outra quimera!
Amo-a
como o náufrago desesperado
ama a costa longínqua e arelada
que nunca há de avistar
Amo-a
com saudade antevista de emigrado
que à partida se sabe já
a ser ausente morrinhento
de nunca mais voltar
fadado
Porque ninguém jamais regressa do desterro
à mesma terra que deixou
(O Espaço sempre acaba comido pelo Tempo:
Os lugares
e as gentes que os habitam
mudam e morrem sempre
e nós também morremos
e mudamos
Posso eu acaso me reconhecer
naquele rapaz loiro
que chorando partiu
um dia crepuscular e montanhoso
de Quiroga
no Sil
há tantos anos
e tantos desenganos?)
Amo-a
Amei-a sempre
porque nunca deixei
de estar ligado a Ela
pelo umbigo
Porque Ela foi meu berço
e onde quer que eu morrer
Ela há-de ser
o meu íntimo
Amo-te
enfim
Galiza
e último jazigo
coitada, triste e bela Pátria minha
como Tu es
como o Senhor
num mal dia te fez
órfã de história e alienada de alma
vespertina, submissa e maliciosa
rústica e probrezinha
Amo-te
sobretudo
como eu te quereria
como eu em mIm te crio
dia após dia
como um encantamento da minha infância
e da minha fantasia
Amo-te
como eu
tresnoitado poeta evangelista
te invento e mitifico
E, como com Jesus Cristo fez Mateus,
visto com ilusórios véus
a tua miseranda e cinzenta Paixão
e intento
com interna e intensa
distante devoção
pôr-te um nimbo de Glória imaginária
num apócrifo Novo Testamento E. GUERRA DA CAL
ESTORIL,
/984
ERNESTO GUERRA DA CAL e LORCA
Se a súa primeira publicación literaria fora o poema “Mariñeiro fusilado” (na revista Nova Galiza, en 1937), Guerra da Cal publicou os poemarios: Lua de além-mar (1959), Poemas(1961), Rio de sonho e tempo (1962) e Motivos do eu (1966).