poesia en la calle, desde la calle, la palabra tomando la palabra, la palabra es lo unico que sigue siendo de todos pero sobre todo alcanza su maximo poder en boca de la pobreza. La poesia es nuestra arma favorita. Los poetas, nuestros destiladores magnificos.
miércoles, 26 de enero de 2011
si es mayo, quien dice no?
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domingo, 23 de enero de 2011
CARVALHO CALERO, un año dedicado a él, 2012
101 años de Carvalho Calero
Ferrol monta una exposición para reclamar el Día das Letras para el filólogo
LORENA BUSTABAD - Ferrol - 22/01/2011
Su centenario fue desplazado de la agenda oficial por el de Torrente
El lusismo del profesor lo apartó de las instituciones políticas y culturales
Para enmendar décadas de desmemoria, el Ayuntamiento inauguró el pasado martes Carvalho Calero, desde Ferrol para o mundo, una exposición monográfica en el centro cultural que lleva su nombre. Veinte paneles en semicírculo, varias vitrinas y una pantalla que proyecta imágenes y fragmentos de entrevistas, dan forma a la muestra, que avanza en bloques cronológicos para recorrer la trayectoria vital de Calero a través de fotografías, manuscritos y objetos personales cedidos por su familia: como un bastón, un reloj de bolsillo, su birrete de catedrático y la medalla de la Real Academia. Licenciado en Derecho y Filosofía, filólogo, historiador, ensayista, editor, intelectual galleguista y republicano, Carvalho Calero fue el primer catedrático de Lingüística e Literatura Galega de la Universidad de Santiago de Compostela en 1972.
Fue bautizado como Ricardo Leopoldo Ángel José Gerardo Carballo Calero, pero acabó por lusificar su apellido, firmando como Carvalho, cuando se erigió en el gran pensador del reintegracionismo, corriente que aboga por unificar las lenguas gallega y portuguesa. Pasó su infancia corriendo por las calles de Ferrol Vello. Fue un poeta precoz, un estudiante comprometido y combativo que presidió la Federación Universitaria Escolar. En verso y en prosa, casi siempre en gallego, pero también en castellano, engordó las páginas de las revistas A Nosa Terra y Nós, donde alternó con Castelao, Risco y Otero Pedrayo. Se atrevió con la narrativa y el teatro, pero destacó en el ensayo, con vocación rosaliana, evidenciando su debilidad por la autora de Cantares Gallegos.
Integró el núcleo fundacional del Partido Galeguista en 1931 y participó de la redacción del anteproyecto de Estatuto de Galicia que la Guerra Civil dejó en suspenso, como su plaza de funcionario en Ferrol. El inicio de la contienda lo pilló haciendo otro examen en Madrid. Le colgaron los galones de teniente y se arrastró por las trincheras andaluzas. Pagó su ideario republicano con represión carcelaria y educativa. Fue condenado a 12 años y un día de reclusión en Jaén, pero salió antes de tiempo, en 1941. Inhabilitado por el franquismo, peregrinó por la enseñanza privada de forma clandestina. Se carteó con Fernández del Riego sin cejar nunca en su defensa de Galicia, plasmada en obras como Historia da Literatura Galega Contemporánea (Galaxia, 1963) o Gramática Elemental del Gallego Común (1966).
La Academia lo invitó a ingresar en sus filas en 1957 y casi una década después, el régimen franquista le permitió ejercer la docencia desde la tarima del Liceo Rosalía de Castro de Santiago. Tenía 62 años cuando estrenó orgulloso la primera cátedra de Lingua e Literatura Galega de la universidad. Porfió en el reintegracionismo y muchos colegas le dieron la espalda. "Le costó su aislamiento de las instituciones políticas y culturales", resume la muestra dedicada a su persona.
Hace tres años que el Ayuntamiento de Ferrol reclama a la Academia que dedique el Día das Letras al filólogo. No será el 2011, ya comprometido al monfortino Lois Pereiro. "Es un deseo que comparte toda la ciudad, y que confiamos en lograr a base de perseverancia", resume el alcalde Vicente Irisarri. Su casa natal, en el número 51 de la calle San Francisco, en Ferrol Vello, es un futurible proyecto de museo. La corporación local aprobó la compra del inmueble por 350.000 euros después de cierta polémica por un coste que parecía excesivo para una casa en ruinas.
jueves, 20 de enero de 2011
Genet en GATO VADIO, Oporto, Portugal
Jean Genet – À Margem da margem
Genet. Genet não foi criado. Quando nasceu, nasceu sacrificado (mesmo se ao nascer, todos nascem sacrificados). E depois vomitou o seu próprio ser. Suicidado da sociedade? Nem esse rótulo auto-complacente aceitaria. Faria uma figa.
Quem era, então, Genet? Passaram cem anos do seu nascimento, em Dezembro passado, e a Gato Vadio não correrá o risco de incensar o artista, o escritor, como fez o ministério da Cultura francês, tão pressuroso em conceder-lhe as honrarias da pompa fúnebre, esse negócio que trata como escumalha a transgressão, ao mesmo tempo que rejeitam o fulcro de tudo aquilo que a vida de Genet testemunhou: se nos condenam à existência, só a liberdade nos livrará dela. Mas, “não o compreendamos demasiado depressa”, como ele diria…
1910-1986
O pederasta, o ladrão, o mendigo, o enjeitado, o encarcerado, o filho duma prostituta e de alguém desconhecido, os reformatórios, as prisões, os amantes, os escândalos…
A grande cabeça pensadora da época (às vezes, com alguma vesguice…), Sartre, escreveu uma biografia de 500 páginas. Preferimos o olhar de Rainer Fassbinder, para seguirmos o rastro ao mundo de Genet.
Durante a última semana, por via do Genet, as conversas tresmalharam-se e foram parar ao caso do assassinato de Carlos Castro (ah… Voilà a imprevisibilidade da gataria… a fuga à mancha oficial que nos colam…).
A facilidade de viver na mentira – Contra a homofobia, a castração do psicologismo e a telenovela geral à volta do assassinato de Carlos Castro
Debate
Não pretendemos ater-nos aos factos da morte e mutilação de uma figura pública às mãos de um jovem de 21 anos. Nem sequer criticar a rábula televisiva e mediática que ateou a fronha homofóbica de uma larga portugalidade. A questão não foi apenas reduzida ao ângulo doméstico da TV, mas também ao estrabismo da miséria do freudianismo.
De um lado, no necrotério televisivo, dissecar a excepção, o desvio, o espampanante, o simbólico, para ocultar a norma, esquecer o padrão, esconder a violência da normalização-padronização, desprezar o real. Do outro, nesse divã que já não tem bolor mas cogumelos, reduzir a questão ao quarto de hotel, ao conto de fadas de Freud, a mamã o papá a vagina ou o anûs o traumazinho burguês e a superação: ora cortando um pénis, ora perfurando uma vagina.
[E tirem daqui a (homos)sexualidade. Se fosse a Vera Lagoa que estivesse a jeito do jovem Renato Seabra, ficava sem os ovários.]
O que acreditamos que vale a pena trazer a lume é a violência do espectáculo – o espectáculo não é aquilo que transforma o corpo em mercadoria, é aquilo onde o imaginário sobre o corpo já não se pensa além da mercadoria – em que a vida de crianças e adolescentes se converteu. A violência de uma ordem de valores que instila a competição, o individualismo, a selvajaria quotidiana, enfim, o sucesso da razão cínica. Transaccionar a vida em nome dos sonhos da Endemol.
Daí que o rapaz que assassinou Carlos Castro seja filho do Sócrates actual (não há sequer laivo a ironias), mais do que do outro, o filósofo-tutor-tutu-iniciante. As regras do jogo cínico que imperam no dia-a-dia de quem cresce, não só onde são mais visíveis e drásticas como nas escolas de futebol e nas escolas do show-bizz, servem a escalada cultural dos tempos que correm.
Ignorar o processo social, a fabricação das relações de verdade e de poder que formam a subjectividade da geração re-nato/re-nata, revela também o esforço de enaltecer a terapia – o desejo mediatizado de resolver o mundo com terapia. Porque o terapeuta é o mago, o mágico, o “feiticista”, aquele que mistifica. Aquele a quem não interessa expor a “verdade” das causas e da origem, a quem não interessa mostrar o tudo que ficou na manga. E a mistificação, o truque, é a base sólida onde qualquer poder se preserva. Com ela encobre o quotidiano da clínica que administra o espectáculo, o cenário, as regras do jogo, a metadona e a dona-meta, a crise, o défice, o terrorismo, a estabilidade… para castrar a vida e impor o sol apodrecido.
Uma palavra ainda sobre o labor de Carlos Castro. O mundo dele, imagino, seria muito diferente do universo dos vadios. E, no entanto, intuímos que escrevia e acreditava no que escrevia. Entre aquilo que defendia e praticava, julgamos que não existia esse hiato profundo em que o jornalismo dito de referência se perde, vitimando essa classe bem-pensante a não se interrogar porque escreve nem a questionar o lugar que ocupa quando escreve. Essa barricada mole que é o jornalismo de massas, ainda vendida como imparcial, neutral, território-neutro, suíça-de-redacção, é um espelho bem real da espectacularização do mundo: a fabricação do nada se passa.
Na noite de quinta, entre os vários caminhos da noite-noite, Genet e a transgressão contra os valores da ordem dominante; na noite de sexta, a transgressão em nome da ordem de valores dominantes
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